OS LIVROS & ALBUNS

O Filho Daquela Que Mais Brilha Capa.jpg
O FILHO DAQUELA QUE MAIS BRILHA

A incrível saga do Quilombo dos Palmares no Novo Mundo

  • Autor: Jp Santsil

  • Data de publicação: Maio de 2019

  • Número de páginas: 570

  • ISBN: 978-989-52-4710-3

  • Colecção: Viagens na Ficção

  • Género: Romance/Ficção Histórica

  • Idioma: Pt/Br

Sinopse:

Aqui começa uma história de amor e luta, de esperança e liberdade, de profecias, espiritualidades e crenças messiânicas no período colonial português, espanhol e holandês no Brasil. Esta saga tem palco no Quilombo dos Palmares, (“Estado Livre” dos muitos povos africanos, ameríndios e criptojudeus perseguidos e escravizados) situado entre o atual estado do Pernambuco e Alagoas, onde era a Capitania Hereditária de Pernambuco e nos conta uma história mística de um Preto Velho GRIOT chamado Djeli, um descendente dos antigos contadores de histórias africanos e de N’zambi, um jovem da descendência real do Antigo Império Congo, que futuramente se tornaria um dos maiores heróis negros da história dos africanos escravizados, forçadamente trazidos para o Novo Mundo.

Além da Terra, Além do Céu – Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea – Vol II
Além da Terra, Além do Céu – Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea – Vol II

  • Autor: Jp Santsil & Vários Outros Autores

  • Data de publicação: Maio de 2017

  • Número de páginas: 1736

  • ISBN: 978-989-52-0189-1

  • Colecção: Prazeres Poéticos

  • Género: Poesia

  • Idioma: Pt/Br

 

Sinopse:

A Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea "Além da Terra, Além do Céu" reúne cerca de 1500 poemas escritos em língua portuguesa por autores nascidos em todo o Brasil.

Além da Terra, Além do Céu – Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea – Vol III
Além da Terra, Além do Céu – Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea – Vol III

  • Autor: Jp Santsil & Vários Outros Autores

  • Data de publicação: Outubro de 2017

  • Número de páginas: 1272

  • ISBN: 978-989-52-4024-1

  • Colecção: Prazeres Poéticos

  • Género: Poesia

  • Idioma: Pt/Br

 

Sinopse:

A Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea "Além da Terra, Além do Céu" reúne cerca de 1200 poemas escritos em língua portuguesa por autores nascidos em todo o Brasil.

 

"Além da Terra, além do Céu,

no trampolim do sem-fim das estrelas,

no rastro dos astros,

na magnólia das nebulosas.

Além, muito além do sistema solar,

até onde alcançam o pensamento e o coração,

vamos!"

Carlos Drummond de Andrade

עולם חדש - Novo Mundo

  • Featured : Dvir Cohen Eraki (Diwan Halev) & Jp Santsil (Brazil) "Tones" Album, released October 2, 2017

  • Music by : Tom Lev & Adar Lev

  • Lyrics : Tom Lev, Dvir Cohen Eraki, Jp Santsil

  • Recorded at : Onyx Studio & Slice Studio, Eran Kats Studio

  • Mix by : Avi Ein Zur

  • Mastered by : Erez Caspi

Musicians:

  • Tom Lev : Vocals

  • Adar Lev : Guitar, Vocals

  • Jp Santsil : Vocals, Pandeiro, Birimbau, Agogô

  • Dvir Cohen Eraki : Vocals

  • Shahar Kaufman : Electric Guitar, Keyboard, Bass, Mandola

  • Gavriel Aisenman : Drums

Lyrics: (Hebrew, English, Portuguese)

HEBREW: Tom Lev & Adar Lev

 ״באנו לעולם הזה ללמוד ולהנות כל ניצוץ של תודעה מקרב ת׳גאולה זה הקול שבך, חי בתוכך, בחר נכון ודע את עצמך הומור, רכות ומתיקות מביאים ת׳אהבה עוצמת הנשמה לעולם איתך כי הלב יודע שכולנו חופשיים אז בואו נכוון וניצור עולם חדש ״

 

(Translation: "we came to this world to learn and enjoy, every spark of consciousness brings the salvation closer, its the voice that is in you leaves inside you, choose well and know your self, humor, softness and sweetness brings the love, the power of the soul is forever with you, because the heart knows we are all free, so lets ame and create a new world" 

"Nós viemos a este mundo, para aprender e desfrutar. Cada centelha de consciência aproxima da salvação. A voz que está preza dentro de você, deixa ela ecoar. Escolha bem e conhece a ti mesmo. Alegria, suavidade e doçura traz o amor. O poder da alma está sempre com você. Porque no coração somos todos livres, então vamos amar e criar um Novo Mundo")

 

ENGLISH: Dvir Cohen Eraki (Diwan Halev)

״show me the spark of creation rejoice in a big celebration give honor fi all of the nation unity and love from jah jah creation welcome tonight is the night everybody come and dance and fill alright spread jah love instead of fight together we shall bring jah light"

"Mostre-me a centelha da criação e regozije em uma grande festa. Vamos honrar toda a nação. Unidade e amor de Jah Jah, O Deus Todo Poderoso de toda a criação. Bem-vindos a esta noite, é a noite de núpcias em que todo o mundo vem para dançar, e encha-se do bem, e espalhe o AMOR de Jah em vez da guerra. Juntos vamos trazer a Luz de Jah"

HEBREW: Tom Lev & Adar Lev

״ ״כי הכל כבר כאן רק צריך לשמור על זה מה נותר רק לאהוב, לעשות את הכי טוב כי אין זמן, אז בואו נתעורר כל שהיה עבר ונגמר, אז בואו ביחד נברא עולם חדש״

 

(Translation: "because everything is here and we just need to take care of it, and what has left to do is love, do the best we can, because there is no time so lets wake up, every thing that was in the past has finish so lets create a new world together"

"Porque tudo já está aqui e agora, e nós só precisamos cuidar desse presente momento, e o que nos resta a fazer é só amar, dá o nosso melhor de si, porque não há mais tempo à perder, então, vamos acordar, tudo o que estava no passado já terminou, então, vamos criar um Mundo Novo juntos!")

 

PORTUGUESE: Jp Santsil (Brazil)

 ״Eu sou do Quilombo a toda hora em todo momento 
Se não me reconhece a Quilombagem é o meu movimento 
Caminho pelo mundo como vento em todo lugar 
Desviando obstáculos sei que nunca vou parar 
onde quer que eu vá! Eu estou no centro do mundo 
Minha mente é sem fronteiras, Minha visão vai mais a fundo 
Assim como no passado me libertei do canavial 
Sou liberto da insensatez que reina no atual״

Invisível Escravidão

 

Comentário:

Invisível Escravidão nos traz uma reflexão profunda de quem somos nós, nesse planeta 100% natural, onde reina entre todas as formas viventes o vegetal. Aborda temas da responsabilidade que temos com todas essas coisas que adquirimos fora do mundo natural, toda essa superficialidade externa a nós de insumos e mercadorias, e toda essa industria digital e cultural em que nascemos.

LETRA:

Caminho pelo asfalto dessa selva de concreto

Me desvio das pessoas que circulam pelos prédios

Paro na sinaleira observando o semáforo

O sinal está vermelho e o meu corpo está parado

Já do outro lado além da faixa de pedestres

Pessoas robotizadas pela maneira em que se vestem

Esperando o piscar do sinal esverdeado

Nos dando o privilégio de caminhar em frente aos carros

Passos acelerados ao caminho do trabalho

Olhar indiferente como se estivesse mergulhado

No submundo do profundo coletivo inconsciente

Inúmeras problemáticas que preocupam toda gente

Mas o que fazer se o crime foi perfeito

Assassinaram o real e iludiram o sujeito

Suplantaram a realidade simulando referências

Mataram a verdade publicando falsas crenças

A imagem do reflexo que supõem a realidade

Falsificada, adulterada numa vã publicidade

Em uma tela de valores assassina do real

A ilusão e a fantasia que vivemos é o normal

Sigo pela frente observando toda gente

Robores orgânicos controlados pela mente

Maquinas de carne e osso que evoluiu do animal

Habitantes do concreto que substituiu o natural

Vejo plástico em vez de folhas circulando pelo vento

Vejo holofotes luminosos ofuscando o firmamento

Paisagens naturais em resmas de papel

Não mais vejo o por do sol por causa do arranha-céu

Nessa concretização de aço, vidro e cimento

O natural é uma árvore que não passa de ornamento

Constantemente sendo podada ao longo do seu crescimento

Para não tampar a vista do apartamento

Vejo uma multidão de uma superpopulação

O aumento do consumo e a industrialização

Quase oito bilhões de pessoas em todo mundo

Apenas 20% consome 80% dos recursos

Esses 20% são os que habitam o hemisfério norte

São os que geram todo lixo, poluição e toda morte

Enquanto isso 80% da população mundial

Tem apenas 20% do recurso natural

Esses 80% são os que habitam o hemisfério sul

São aqueles países pobres arrodeados de urubus

A abundância dos bens de consumo industrial

Frequentemente é considerada o sucesso capital

Símbolo de uma economia em grande expansão

No entanto sua demanda gerou toda poluição

Os bens em toda cultura manifesta os valores

Cargos, posição, dividendos e credores

Não sendo atividade neutra, individual ou despolitizada

Ao contrario o consumismo é o que me mata, é o que te mata

O consumista manifesta sua maneira de ver o mundo

Ecologia, valores éticos, escolhas políticas está no consumo

Amplamente influenciada pelo estilo de nossas vidas

A publicidade se expandiu nos transformando em consumistas

O consumo se transformou em compulsão e um vício

Estimulado pela força de um mercado característico

Produzindo carências e desejos materiais falsos

Eu sou reconhecido pelo que visto, pelo que calço

Pelo meu smartphone, pela minha casa, pelo meu carro

Por aquilo que consumo estimulado no mercado

E assim vou vivendo sempre me auto avaliando

Pelo que tenho, pelo que trago e consumo todos os anos

Mas é muito difícil estabelecer agora um limite

Entre o consumo e o consumista, entre a marca e a grife

O que é básico para mim pode ser supérfluo para você

O que é supérfluo para você é o que vai me entreter

Até mesmo o tempo livre e a felicidade são mercadorias

Que alimentam esse ciclo do consumo todo dia

O individuo é reduzido ao papel de consumidor

Sendo cobrado por uma espécie moral e cívica de valor

O consumo é o lugar onde os conflitos entre classes

São originados desigualmente na produtividade

Ganham continuidade através da desigualdade

E na distribuição e apropriação em porcentagens

As vezes eu me sinto um rato de laboratório

Dando voltas em gaiolas estimulado pelo que olho

Vendo aglomerações em torno das fábricas de alimentos

Demandando suprimento para quem não produz o seu sustento

Métodos artificiais, fertilizantes, pesticidas químicos

Manipulação genética, hormônios para o crescimento físico

Se de um lado tais práticas aumentaram a produção

Do outro lado vem causando danos a população

Agrotóxicos e monocultivos favorecem o desiquilíbrio

Das pragas, doenças, plantas, ervas daninhas e micro-organismos

O controle biológico é a solução para esse mal

Utilizando a cadeia do seu inimigo natural

Devido ao conhecimento de como aplicar o meu pensamento

A essência de minha vida não vou mais interrompendo

Quando eu digo, EU CONSIGO!, sentindo profundamente

Algo em mim explode rompendo a cápsula da semente

Controlando minhas palavras, observando meus sentimentos

Buscando a virtude de viver a cada momento

Através de muito séculos de ignorância e incompreensão

Carregamos falsos conceitos de uma invisível escravidão

Anulando nossa alma, aniquilando nossa divindade

Ofuscando o coração, apagando a VERDADE!

Veja abaixo o videoclip

Trago no meu Sangue

 

Comentário:

Trago no meu Sangue foi uma letra escrita nos meus 17 anos (1998), ainda quando eu vivia nas favelas de Salvador, na Bahia, e era ativista militante do Movimento Hip-Hop Organizado no Nordeste de Amaralina. Essa letra revela o meu contexto existencial na época, vivente de uma realidade cruel e preso a uma cadeia de ignorância e miséria karmica. Eu era um jovem ativista da favela, em que presenciei muito sofrimento, segregação social e cultural alienantes, além de presenciar muitas mortes, fome e descaso por parte dos governantes locais e federais para o povo negro nas favelas. Fui vítima de muitas barbaridades, racismos e discriminação por conta da minha condição de ser um preto pobre, nascido nos guetos e favelas de Salvador. Porém, busquei na Sabedoria Divina, a minha divindade como um ser-humano que veio a esse plano terrestre, para evoluir existencialmente, independentemente, da minha situação social e ao contexto miserável em que vivia. Eu não era compreendido pelos meus familiares, amigos e conterrâneos favelísticos. Pois, divinamente obtive uma compreensão do Sagrado Superior em mim mesmo. E minhas palavras eram por demais evoluídas para o contexto do saber dos ouvintes, nos palcos das favelas e até, das universidades em que me apresentei, quando fui um MC, no grupo de rap que se chamava Quilombolas, fundado no Nordeste de Amaralina. Portanto, ao ouvir essa canção e prestar atenção a sua letra, não a julgue como um canto incoerente, pela sua incompreensão de vida. Essa canção é fruto de um jovem favelado que foi além do seu tempo e espaço, e situação. Pelo qual, no seu tempo, nunca foi compreendido... e não sei se ainda o será.

 

LETRA:

Ainda no futuro levo uma vida escravizada

As lembranças de vitórias do meu povo, apagadas

O passado do meu povo parece que não passou

Toda luta e o ideal do Quilombo acabou

O passado que não passa, a senzala disfarçada

A liberdade acomodou, a abolição estagnou

Um futuro sem passado, um presente sem memórias

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas

 

Querem que eu acredite que o meu passado foi escravo (cativo)

Querem que eu acredite que eu sou do povo condenado (fugido)

Dataram a minha chegada e forjaram a minha história

Delinearam o meu mundo e apagaram a minhas memórias

Ainda no futuro o mesmo esquema colonial

Só disfarçam, pintam a cara, mas na real, está tudo igual

O operário é o escravo, o policial capitão do mato

O político é o senhor na casa grande do senado

Para nos separar dão falsos cargos e criam leis

Foi a tática do escravista e hoje a tática do burguês

O monopólio da política é a herança do português

Passando de pai para filho, de filho à neto toda vez

Vejo a prisão nos meios de comunicação

Pressinto o perigo na rede de informação

Controladores mentais forjando, assim, realidades

Condutores de Espíritos para o caos e falsidades

Vejo no cotidiano o que se transformou o ser humano

Zumbis alienados, iludidos e profanos

Teleguiados pela imagem de uma caixa de ilusões

Transformados, fragmentados, gozando das separações

Telas de falsas leis, falsos mundo e ideais

Janelas dos perdidos, quadro dos banais

Delícias dos imbecis, néctar dos hipócritas

Transformando o ser-humano em tagarelas idiotas

Vejo em cada barraco controladores de emoções

Forjando uma falsa cultura em meio de informações

Hipnotizados na poltrona se perdem em referências

Objetos do consumismo, isso é a consequência

Consequentemente, o mesmo filme em minha mente

O início e o fim da ignorância novamente

A cobra que morde o rabo, o mesmo ciclo vicioso

A QUILOMBAGEM minha cultura, liberdade pro meu povo

 

Ainda no futuro levo uma vida escravizada

As lembranças de vitórias do meu povo, apagadas

O passado do meu povo parece que não passou

Toda luta e o ideal do Quilombo acabou

O passado que não passa, a senzala disfarçada

A liberdade acomodou, a abolição estagnou

Um futuro sem passado, um presente sem memórias

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas

 

Nasci na favela, morador do gueto sou do Quilombo

Entre becos e barracos sofri a miséria do ser-humano

Condicionado a ter pouco, a falar pouco, a comer pouco

Aumentando a ignorância estancada no meu corpo

Sobrevivi a estagnação, a acomodação a alienação

Busquei a liberdade de uma mente em escravidão

Minha mente virou Quilombo elevando a minha consciência

Agora um quilombola moderno, busco minha recompensa

Não almejo o sucesso, nem a fama, nem dinheiro

E nem me orgulho de ser pobre, pobreza leva ao desespero

Quero estar de boa com יהוה, sempre vivo e sossegado

Quero ver o “preto” feliz e o “branco” estagnado

Preto veja o que eu vejo nas políticas não há beleza

Esse caminho não tem volta só revolta e tristeza

Consciente de que meu povo construiu esse país

Povo queira o que é seu, e o que é seu vai ter que vir

Vou formulando protestos de elevada conscientização

A chave do meu progresso é o AMOR em UNIÃO!

Não tenho nenhum patrão, não sou empregado de ninguém

Assim, como, Zumbi. Também, nasci para ser REI

Presente no momento dignidade e conscientização

Repito a frase de um amigo (ישוע) alertando os irmãos:

EU SOU VITORIOSO E A PALAVRA É SUPERIOR A TUDO!

CÉUS E TERRA PASSARÃO, COMO PASSARAM NO DILÚVIO!

Não me contento com migalhas o que eu quero é conquistar

Não me limito a ignorância reinante do lugar

De homens embriagados no néctar das tolices

Delícias dos imbecis, ignorância e burrice

Tenho a consciência que sou do tamanho do meu pensamento

Não vou me limitar aos benefícios do governo

Sou vitorioso e em יהוה eu vou CRESCENDO!

Sou vitorioso e dia-a-dia eu vou VENCENDO!

 

Ainda no futuro levo uma vida escravizada

As lembranças de vitórias do meu povo, apagadas

O passado do meu povo parece que não passou

Toda luta e o ideal do Quilombo acabou

O passado que não passa, a senzala disfarçada

A liberdade acomodou, a abolição estagnou

Um futuro sem passado, um presente sem memórias

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas

Trago no meu sangue a consciência dos quilombolas

Veja abaixo o videoclip

Cuspir nas Estruturas


Comentário:

Cuspir nas Estruturas volta mais uma vez aos finais dos anos 90. Período conturbado para um jovem como eu naquela época. Essa letra retrata isso... indignação de um jovem negro da favela, que escolheu o caminho do bem e fez do RAP a sua arma. Muito diferente dos meus mais de 25 amigos de infância que perdi para o tráfico de drogas. Dizem que o homem é produto do seu meio. Eu sobrevivi a esse meio de maldades, atrocidades e ignorância... e essa letra de RAP foi o meu grito de sobrevivente. Voz com tons de revoltas, mas que me libertou da miséria em que me encontrava.

 

LETRA:

Pra entender o Rap, tem que ser inteligente

Pensar e refletir, e agir decentemente

Tem que ter a humildade, o respeito, a virtude

Nas rimas, nas batidas, nos scratches atitude

Para ignorância sabedoria é a cura

Tem que ter cultura pra cuspir nas estruturas!

Tem que ter cultura pra cuspir nas estruturas!

Tem que ter cultura pra cuspir nas estruturas!

 

Para ignorância sabedoria é a cura

Tem que ter cultura pra cuspir nas estruturas!

Tem que ter cultura pra cuspir nas estruturas!

Tem que ter cultura pra cuspir nas estruturas!

 

Tem que ter cultura pra cuspir nas estruturas!

Tem que ter cultura pra cuspir nas estruturas!

Tem que ter cultura pra cuspir nas estruturas!

Tem que ter cultura pra cuspir nas estruturas!

 

Adoentados não o corpo, mas é pela mente

O sistema hipnotiza permanentemente

Como bonecos de fantoches somos controlados

Alienados, massacrados e escravizados

Fazendo isso ou aquilo vão te dando ordens

Aí parceiro tô ligado o sistema fode

Vai fodendo a sua vida e de sua família

Por uma beca, um barraco, um prato de comida

E aquele preto no sol quente de uma construção

Que constrói apartamentos e também mansão

E no final analisando o fruto do trabalho

Vira o rosto para o lado e fica revoltado

Constrói o belo e o conforto bancando os ricos

Enquanto mora num barraco, num desses cortiços

E aquela preta lavadeira sempre escravizada

Que sempre lava a sua cueca, limpa a sua privada

Que prepara o seu café, almoço e jantar

Que você não dá valor na hora de pagar

Falo sério e não me igualo a nenhum político

Opressores mentirosos quem duvida disso

Que no discurso abre a boca e rir como uma hiena

E no palanque vejo a besta falando blasfêmia

Falando sério, aí parceiro não estou brincando

O sistema com as suas armas vai te derrubando

Fique atento meu irmão não seja alienado

O sistema manipula e quer te ver calado

 

Tem que ter cultura pra cuspir nas estruturas!

Tem que ter cultura pra cuspir nas estruturas!

Tem que ter cultura pra cuspir nas estruturas!

Tem que ter cultura pra cuspir nas estruturas!

 

Em fevereiro o massacre aqui é total

É o sistema e sua máquina do carnaval

Nos camarotes protegidos estão os barões

E lá em baixo o meu povo fora dos cordões

Que faz surgir o repique, o toque do agogô

Agora assiste excluído o que inventou

E a playboysada se diverte dentro de um bloco

E na calçada é mais um preto que amanhece morto

E tem Brown que anda achando que é o Faraó

E que o Egito é a Bahia, preto tenha dó

A Bahia minha terra pro turista é bela

Vou mudando opinião mostrando a favela

Aqui é onde a pobreza fica amontoada

Aqui tem casa sobre casa ruas abandonadas

Aqui também é onde impera atos de violência

Aqui a morte e a malandragem são as consequências

No meus estado condenado de ser um preto pobre

Vejo o massacre do sistema e tenho que ser forte

Vários irmãos e irmãs vão perdendo a vida

Na frente da televisão, no copo de bebida

Nos pagodes várias tretas, várias baixarias

Vão bitolando o meu povo com suas orgias

Acredito na mudança através do RAP

Por isso canto superando a rima prevalece

Prevalecendo como vírus de um condenado

O HIP-HOP se alastrando, nego é o meu contagio

E um dos sintomas são o excesso de informação

É o protesto, a união e a revolução

Faço do RAP minha, arma minha opção

As minhas rimas cabulosas são a munição

Engatilhados de batidas pulsando no ouvido

São as rajadas de scratches do DJ zunindo

Vou rimando e vou cuspindo em quem estiver na frente

A batida é o gatilho, a rima está no pente

Movimento HIP-HOP tem que acreditar

A parada é que é louca, sim! Vamos mudar!

O Povo Preto

 

Comentário:

O Povo Preto ainda remontando os finais dos anos 90, uma ânsia por uma identidade o jovem negro da favela sente em seu coração. O que herdou dos seus antepassados? Não foi ouro ou prata... nada herdou de bens matérias... os bens foram culturais. Uma cultura de luta, uma cultura de paz em meio a revolta. Assim, eu, aos meus 17 anos retratava nessa letra. Assim ainda me faço. Zumbi Rei! Ainda sou o seu eterno quilombola.

 

LETRA:

“Ainda sinto os chicotes no meu corpo

Os gritos apavorados do meu povo

O eco das chibatadas ouço ainda no pelourinho

O sofrimento e o lamento do meu povo no moinho

Lembro-me de ouvir as vozes dos capitães do mato

Ferozes pelas matas vão esvouraçados

Fecho olhos clamando por meu Eledá, Rei das Matas

Oxóssi, guerreiro, me livre do tronco e das chibatadas

Ainda sinto as dores dos meus antepassados

Que na África foram reis e no Brasil escravizados

Povo maltratado, humilhado e injustiçado

Que de geração em geração ainda carrega esse fardo

Sinto no meu sangue o poder do povo negro

A vontade de justiça, e a posição de um guerreiro

Sinto que a beleza não depende de uma cor

Mas, sim, de uma consciência que só o negro dá valor

Sinto que sou negro e carrego uma herança

Sinto no meu sangue uma grande esperança

Esperança que um dia veio de um negro na senzala

Que sonhava em ser livre, e que seu povo imperava

Sinto que meu povo ainda vai imperar

Como impera até hoje nas falanges os orixás

Sinto que o bem é verdadeiro, e que o verdadeiro sempre vence

Sinto que vence!

Sinto que vence!

Sinto que vence!”

 

Eu sou do gueto

Do povo preto

Eu sou do gueto

Do povo preto

Eu sou do povo africano, daomeano

Yoruba dos negros maometanos

 

Eu sou do gueto

Do povo preto

Eu sou do gueto

Do povo preto

Eu sou do povo africano, daomeano

Yoruba dos negros maometanos

 

Eu tô chegando devagar como quem não quer nada

Com rimas pesadas, matando gato a paulada

Ultrapassando o limite das fronteiras impostas

Preste atenção meu irmão, o que é meu ninguém toca

O coqueiro balança, mas nunca irá cair

Nem tempestade derruba, nunca vou desistir

Nunca vou desistir, então, melhor tu se ligar

Sou um quilombola e continuo no ar

Chegando devagar como quem não quer nada

Faço tu vibrar com rimas envenenadas

Penetro no teu sangue, na tua circulação

Como adrenalina acelero teu coração

Como já falei e vou voltar a falar

Sou um quilombola e continuo no ar

Continuo no ar para melhor te informar

Com palavras bem dosadas para te amenizar

Falo com sinceridade, peço que não se esqueça

Capoeira, HIP-HOP na lata, na cabeça

Atenção!

Atenção!

Para mais um comunicado:

Vou chegando controlando pra deixar descontrolado!

 

Eu sou do gueto

Do povo preto

Eu sou do gueto

Do povo preto

Eu sou do povo africano, daomeano

Yoruba dos negros maometanos

 

Eu sou do gueto

Do povo preto

Eu sou do gueto

Do povo preto

Eu sou do povo africano, daomeano

Yoruba dos negros maometanos

 

Símbolo da resistência foi o Rei Zumbi

É o verdadeiro herói do nosso país

Zumbi não morreu, nem nunca irá morrer

No mestiço brasileiro ele vai renascer

Ele foi uma bandeira, um estimulo de luta

De negros que lutaram para uma causa justa

Miséria e pobreza foram a indenização

Daqueles que trabalharam para erguer Nação (Brasil)

Três séculos se passaram e continua o mesmo

Escravidão, humilhação e muito desespero

A favela é o Quilombo Moderno

O que era paraíso, hoje chamo de inferno

Me digam quem são os capitães do mato

No tempo do cangaço, chamavam de macaco

O Quilombo não tem mais privacidade

Os capitães do mato invadem à vontade

A semente germinou, um novo dia raiou

A resistência do Quilombo ressuscitou

Zumbi Rei! Grande exemplo de vida

Sou um quilombola e continuo na ativa!

Zumbi Rei! Grande exemplo de vida

Sou um quilombola e continuo na ativa!

Zumbi Rei! Grande exemplo de vida

Levanta o teu povo pra batalha vencida!

Eu sou do gueto

Do povo preto

Eu sou do gueto

Do povo preto

Eu sou do povo africano, daomeano

Yoruba dos negros maometanos

 

Eu sou do gueto

Do povo preto

Eu sou do gueto

Do povo preto

Eu sou do povo africano, daomeano

Yoruba dos negros maometanos

 

O quilombo é a favela a favela é o quilombo

O quilombo é a favela a favela é o quilombo

A favela é o quilombo o quilombo é favela

A favela é o quilombo o quilombo é favela

Zumbi!

Cesto de Maçã Envenenada
  • Featured : Dj Bandido

  • Music by : Jp Santsil, Carlinhos Mutante, Dj Bandido

  • Lyrics : Jp Santsil, Carlinhos Mutante

  • Recorded at : Quilombo Moderno

  • Mix by : Dj Bandido

  • Mastered by : Jp Santsil

 

Comentário:

Cesto de Maçã Envenenada retrata a realidade dos jovens nas favelas de Salvador, em particular no Nordeste de Amaralina, na década de 90. Essa letra expressa fielmente a realidade da favela, e do regime ditador do coronel Antônio Carlos Magalhães, o ACM, ou Cabeça Branca, como era apelidado na Bahia. Letra com o linguajar chulo da favela, mas que retrata a realidade das minorias sociais, e da opressão por parte dos políticos e da sua milícia armada, a policia militar. Quase 30 anos se passaram quando eu, e, o meu parceiro de rap Carlinhos Mutante fizemos essa música, e a realidade nas favelas ainda é a mesma. O que mudou? Nada mudou… só piorou!

LETRA:

A política é um cesto de maçã envenenada

A pura que entrar apodrece na parada

Se liga sangue-bom Ação Contra Minoria (ACM)

Vão roubando o que é seu e dando a sua cria

Sou um guerreiro negro, veneno 100%

Sou morador do gueto, minha política é de preto

Vitória conquistada, liberdade na parada

Quilombola é o som, Hip-Hop minha jornada

 

Aí parceiro tô ligado, tá ligado na colé

Sou esperto, fique esperto, não, não sou zé mané

Parceiro, mano-velho tô ligado no esquema

A parada aqui é loca, vixe, aqui é só problema

Brigas de mãe e pai, harmonia não tem mais

A falta de dinheiro traz revolta pra carai

Olha só, irmão meu, várias tretas na parada

É dia e noite rincha, vários tiros na quebrada

Irmão matando irmão, pobre matando pobre

Do Areal a 11, morre quem não se envolve

Inocente ou bandido tá difícil de viver

A polícia quando chega, não, não quer nem saber

Só querem só bater, humilhar e espancar

Pedem o fragrante se não tem vai forjar

E tiram uma onda vestido de amendoim

Seus rebanhos de macacos sei o que é bom pra mim

O gostinho do poder, fez vocês se perder

Vestem uma farda e manda o outro se fuder

Irmão te digo mais, não vou te deixar em paz

Cê é macaco do governo, não passa de capataz

Otário, vacilão, traidor do povo

Perdeu a identidade do governo virou jogo

Aí parceiro meu, tô ligado no esquema

A guerra na favela quem criou foi o sistema

Quem trouxe o armamento e deu o segmento

Menino de fuzil, veneno 100%

Só somos funcionários do sistema empregador

Carteira de ladrão, profissão do terror

Eu sei distinguir, sei diferenciar

O funcionário do patrão, quem cumpre e quem manda

O sistema traz a droga, traz a arma para o gueto

Ele é o patrão, o funcionário é o povo preto

E paga as consequências da pesada profissão

Cadeia ou caixão é a indenização

 

A política é um cesto de maçã envenenada

A pura que entrar apodrece na parada

Se liga sangue-bom Ação Contra Minoria (ACM)

Vão roubando o que é seu e dando a sua cria

Sou um guerreiro negro, veneno 100%

Sou morador do gueto, minha política é de preto

Vitória conquistada, liberdade na parada

Quilombola é o som, Hip-Hop minha jornada

 

Sou Mutante vacinado, também vim pra relatar

A muito tempo é só lamento e eu não vejo nada mudar

O desemprego predomina, cadê a educação?

Escola paralisada, professores em manifestação

Tá difícil, mano eu te digo:

Vivemos esquecidos, submetidos a vários riscos

Pare e raciocine, quem causa tudo isso?

Não sou eu, não é você, são os próprios políticos

No mar de corrupção sua profissão é exercida

Renuncia seu mandato, depois volta de cara limpa

Querendo iludir o povo com falsos discursos e propagandas

Tô ligado! Sua borra de asfalto não me engana

Tudo errado! Em todo canto é só maldade

Quando diminui o respeito aumenta mais a impunidade

Se ando pelas ruas o clima é tenso na esquina

O mano da rua de baixo trocando tiro com a de cima

O mal vive por perto, mas eu não vou desistir

Na resistência vamos seguindo, descendente de Zumbi

Passando para o povo o que a televisão não passa

Falando a verdade desmascarando essa farsa

Não sei como essa gente consegue ser assim

Tem o poder nas mãos para enriquecer até o fim

Bando de corrupto, engravatado disfarçado

Suas leis, suas ordens não vão me deixar calado

Já cansei disso tudo! Chegou a hora de mudar!

Quilombolas é o nome e você pode confiar!

 

A política é um cesto de maçã envenenada

A pura que entrar apodrece na parada

Se liga sangue-bom Ação Contra Minoria (ACM)

Vão roubando o que é seu e dando a sua cria

Sou um guerreiro negro, veneno 100%

Sou morador do gueto, minha política é de preto

Vitória conquistada, liberdade na parada

Quilombola é o som, Hip-Hop minha jornada

 

Tô por dentro, tô ligado, zé mané como é que é

A miséria e a guerra traz riqueza pra mingué

Quem ganha é os ricos, artistas e políticos

Fazendo da pobreza seu próprio artificio

Projetos sociais só para roubarem mais

Investindo na miséria, aqui o lucro rende mais

E o safado do político no palco aliena

Aí parceiro meu, tô ligado no esquema

Vão botando uns pagodes pras meninas requebrar

E depois joga uns frevos pros parceiros se matar

E o sacana do político sobe no palanque

E depois que ele desce, meu cumpadi é choro e sangue

Veja só agora! Veja a sua cara!

Veja a consequência! É só facada, sangue e bala

Ainda rola mais! O sangue não acaba mais...

Depois dos tiroteios, hei, vem os capataz

Parceiro não aquento, vou te ser sincero

O poder pertence ao povo, é isso o que eu quero

É governo, é senado, estamos acomodados

Morre filho, entra neto, tá tudo dominado

Vejam só a sigla: (ACM) Ação Contra a Minoria

Ele tem todo o poder, e quem herda é sua cria

É nome de avenida, patrimônio e escola

Mudou o Aeroporto! Cadê a nossa História?

Senhor-de-engenho, coronel, feudalista, czarista

Aqui chegou seu fim! É de preto a minha política!

 

A política é um cesto de maçã envenenada

A pura que entrar apodrece na parada

Se liga sangue-bom Ação Contra Minoria (ACM)

Vão roubando o que é seu e dando a sua cria

Sou um guerreiro negro, veneno 100%

Sou morador do gueto, minha política é de preto

Vitória conquistada, liberdade na parada

Quilombola é o som, Hip-Hop minha jornada

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